Adeus Amigo Gennare


Quem foi Sérgio Gennare? Pode parecer um tanto quanto vago pra você quando faço essa pergunta, mas Sérgio Gennare era um ser humano especial, ele tinha dentro de si dons que Deus quer que tenha em cada coração humano, que é facilidade de amar, o dom de perdoar e ter a infinita capacidade de não guardar mágoa de ninguém, ser humilde e propenso a aprender sem mesmo querer confiar em seu próprio entendimento, mais simplesmente dizendo: “estou aqui para aprender”. Embora você que esta lendo este texto não o tenha conhecido, certamente se  tivesse  tido a chance de conhecê-lo, tenho certeza que o amaria assim como os seus amigos da faculdade o amava. Quando o conheci, ele tinha 54 anos, um homem forte brincalhão, extremamente educado, ele não seria capaz de lhe dirigir a palavra sem antes dizer: “por favor, com a sua licença , me desculpe (isso quando achava que havia sido rude ou indelicado com alguém), ou me perdoe”, e outras palavras de  riquíssimo vocabulário de educação e respeito para com o seu semelhante . Conheci Gennare no ano passado no meu primeiro ano na faculdade, ele estava lá na minha turma de jornalismo. Um homem de 54 anos realizando o seu sonho, quebrando os preconceitos e enfrentando as adversidades, superando a si mesmo a cada dia de labuta estudantil. Não demorou muito para que eu e o homem que havia vivido experiências radiofônicas no Equador tivéssemos afinidades. No primeiro dia de aula nas apresentações sugerida pelo professor, ele se apresentou e disse: “Olá sou Sergio Gennare Comunicador e Radialista e agora estudante de jornalismo”. Como também sou do rádio logo, logo eu e Gennare nos tornamos bons amigos.
Os dias estavam passando, toda nossa turma aprendeu amar o amigo Sérgio. Aprendemos a rir com ele, de suas teimosias e bolas foras, mas tudo de uma maneira muito saudável e amigável.
Tive o prazer de trabalhar com ele diretamente em quatro trabalhos ou mais nos meus dois semestre  iniciais. Fizemos um jornal chamado Diário Esportivo, matéria de especifica de Jornalismo Impresso, para o Prof: Mazzarto e Nívea Bona. Ali eu e ele atuamos como dupla, e asseguro que foi uma experiência enriquecedora para minha vida, como pessoa, como cristão e como profissional. Aprendi a ter mais carinho com os outros convivendo com humildade, sensibilidade e educação do Gennare (eu só o chamava por seu segundo nome). Combinamos assim: “Gennare, você faz uma matéria e eu faço outra e uma terceira fazemos juntos e depois diagramamos ok?” ele apenas sorriu e disse: “Sim senhor!” num tom de brincadeira.  Sempre que eu estava diagaramando o nosso jornal ele chegava e dizia: “em que posso ser útil?”
 Fomos juntos ao Jockey Clube, e também na Federação de futebol do Paraná fazermos as entrevistas.  O seu comportamento era inimitável, suas perguntas contundentes, e outras claro no carro vínhamos rindo e zoando um com a cara do outro. O amigo Sérgio queria que o nosso trabalho fosse uns dos melhores e disso nós nunca abrirmos mão. Desenvolvemos também a idéia de um site no segundo semestre do segundo período, montamos ainda um planejamento para abrir  uma rádio com a Ana Claudia, Gilson, Mayara no primeiro período para o trabalho de empreendedorismo e ainda falamos em nosso ultimo trabalho juntos sobre as características culturais de cada individuo na matéria da professora Ruth Rappaport as novas tecnologias. Ele eu e amiga Keyla, que me perdoe aqui os amigos se deixei de citar alguém.
Lembro que nesse trabalho ele citou a diferença entre um açougueiro e um padeiro, o perfil de cada um e amaneira que cada ser se portava para atender o seu cliente, a forma como ele se apresentava antes de começar a exibição dos trabalhos era marcante: “Boa noite! Sou Sérgio Gennare e agora vamos falar....” a turma inteira ria, não de deboche mais porque o seu estilo era único. Gennare e eu fizemos uma boa dupla, embora agente sempre cartava um com o outro, havia entre nós um profundo respeito de amizade e admiração. Eu o admirava pela sua força de vontade e coragem de estar no meio de “garotões” em busca de realizar um sonho que era se formar em Jornalismo. Ainda ontem comentei com o prof: Tatá: “Será que nós dois professor teríamos a coragem que ele teve, de não ligar para agora os seus 55 anos e se sentar num banco de faculdade?” O Otacílio respondeu: “Essa era uma das coisas que mais admirava nele, o seu esforço participação nas aulas, nos deu um grande exemplo.”  
No trabalho que desenvolvemos para o professor Dalton Sakamoto que era o site, eu fiz uma brincadeira com ele, eu disse que se ele não parasse de interromper o meu raciocínio eu iria dizer para o professor que fiz o site só. Imagine que ele acreditou! Eu olhava para o Nogueira e desenha um zero bem grande e o Sérgio ficava bem bravo. Mas, tudo isso era apenas uma brincadeira, no final eu me lembro de ter dito a ele: “Cara você acha que ia te sacanear? O professor sabe que você e eu trabalhamos juntos na idéia do site e que você estava aqui sempre ao meu lado, isso era só pra te encher, agente é amigo é irmão!” e ele me olhou e sorriu e disse: “É isso ai companheiro e a luta continua!”
O legal desta história é que o professor Dalton na hora da brincadeira fazia vista grossa.
Pois é, agora são 00h13min de quarta feira 17 de Novembro de 2010. Estou aqui escrevendo estas palavras sobre o Gennare com os olhos cheios de lágrimas, acabei de receber uma ligação do meu amigo Luiz F. Junior, e chorei um pouco mais com ele no telefone, porque na madruga de terça feira dia 16 de novembro de 2010 aos 55 anos de idade o Sérgio Gennare teve um enfarto e veio falecer, ele passou mal horas antes, a sua mãe a simpaticíssima senhora Belinha insistiu que ele fosse ao médico, mas a sua teimosia não o deixou.
Não verei mais o amigo Sérgio Gennare nos corredores da faculdade, nem ouvirei mais a sua voz roca no meu telefone ou seu MSN on line, infelizmente não haverá mais postagens de seus vídeos de rádio no facebook, nem nunca mais me dará dicas de sites legais para hospedar minhas músicas e nunca mais verei os seus gestos alegres e sinceros quando me via e sinalizava para me cumprimentar, não vamos mais rir de sua frase: “olha o bullen” quando brincávamos com ele, e sorridente me olhava e dizia isto.
Este ano infelizmente, não poderei dar a ele uma lembrança como fiz no ano passado, quando o presente-i com o livro “Sinais de Esperança” e eu espero que ele tenha lido.
Gennare se foi... Mas quero acreditar que em breve o verei.   Quando Jesus vier sobre as nuvens do céu, tenho certeza que verei o Sérgio mais uma vez.
Fica aqui o meu adeus a Sérgio Gennare, tenho muitas coisas a dizer sobre a boa pessoa que ele era e o amigo presente e prestativo que foi, mas, seria muito pouco espaço para aqui tentar descrever o grande caráter que ele possuía. Reservarei um espaço um capitulo especial para ele em meu livro quando eu for escrever sobre minha biografia, e certamente citarei todos os amigos que Deus aqui me deu, pois para mim amigos sinceros são tesouros do Senhor, que guardamos para sempre em nossos corações como perolas dentro das ostras escondidas nas profundezas do oceano. Finalizo este texto com uma frase do meu amigo Digo Geane dita ontem no funeral do Gennare: “Na verdade apesar da muita idade ele era o mais jovem da turma, pois fazia perguntas sem se importar ou ligar para o que íamos pensar, era como inocente criança.”
Disse Jesus: “Aquele que não for puro como uma criança jamais herdará o reino dos céus.” Mateus 18V 3.
Ficará para sempre registrado em minha memória os momentos que vivi com amigo Gennare.
Abraços Márcio Nato