O vendedor de livros

Toc, toc... Quem é? Pergunta a dona de casa.
Sou eu! Responde o visitante.
Eu quem? Interpelou a senhora.

Sou um vendedor de livros! Disse o homem. Ela abre a porta e ver o homem com uma maleta em uma das mãos e uma mochila nas costa e com a outra mão um livro a segurar.

O que quer me vender? – sem esperar a resposta do vendedor, ela continua – pois, se for livros de igreja, já estou cheia! Tenho um monte de livros que eu nem leio, e vou lhe dizer uma coisa estou cansada de tantos vendedores que hoje vieram em minha porta, não agüento mais! Olha o senhor já é o décimo.

Primeiro quem apareceu logo cedo de manhã foi o vendedor de flanelas, e, como eu precisava de algumas para secar as louças e enfeitar a mesa comprei umas quinze ou mais não lembro bem. Depois, veio o paneleiro, eu achei as panelas tão lindas que comprei algumas até mesmo sem precisar! Logo em seguida quem veio foi o vendedor de cobertores, e tinha uns tão lindos que mesmo não sendo inverno comprei alguns para aguardar a estação. Quando eu ia me sentar para ver televisão, bateu em minha porta o verdureiro, e claro comprei algumas para o almoço e mais um pouco para o jantar.

Como se já não bastasse eis que repentinamente em minha porta esta o vendedor de rifas. Apostei na sorte e comprei uns cinco nomes. Mal fechei a porta o sorveteiro me grita, comprei alguns potes para sobremesa do almoço e jantar, é bom ter algo assim depois da refeição.

Quando pensei que as visitas importunas haviam terminado, como nota musical, tocou em minha porta uma senhorita vendendo flores. Nossa! E aquelas flores tão lindas perfumadas... Ai, ai não resisti e comprei-as para trazer vida e beleza ao meu lar.

Depois, eu estava no banho quando ouvir uma voz grave e estrondosa soando daqui de fora, e sabe quem era? O vendedor de alhos. Esse eu não podia deixá-lo ir sem comprar ao menos umas 30 cabeças para temperar a minha comida, afinal comida sem alho não é comida não é mesmo? Passou também o padeiro, aproveite a oportunidade e comprei o pão para o cafezinho da tarde e mais alguns para o café de amanhã para não precisar ir à padaria cedo.

E quando pensei que finalmente poderia descansar e parar de abrir e fecha essa porta, aparece o senhor vendendo livros... Desculpe senhor, mas, mediante a tudo que acabei adquirindo não me sobrou sequer um trocado para comprar o seu livro. Afinal nesse momento para que eu ia precisar de livros, em que iria me servi esses livros?

O homem olha para a mulher, põe a maleta no chão, segura o livro com as duas mãos e diz:__ Estimada senhora, o livro que lhe apresento possui um conteúdo que nunca vai se findar. Aqui a senhora irá aprimorar e aperfeiçoar o seu cozinhar, lendo essas paginas saberá controlar melhor as suas finanças além de ajudar para formação melhor dos seus filhos. Esse livro, senhora, vai gerar empregos e dará também boa educação para quem o ler! Tudo que a senhora comprou e adquiriu foram de certa forma essenciais, claro exumando a rifa que foi banal, os demais foram e serviram de alguma necessidade. Porém, vai acabar. O que tem para senhora aqui nas paginas desse livro, nunca vai ter fim, porque ninguém poderá extrair de sua mente o conhecimento e a sabedoria que vais adquiri ao ler esses capítulos. E sabe qual é o ponto mais importante ao a senhora adquiri esse livro comigo hoje? Dará-me a possibilidade de dar comer aos meus filhos e encaminha-los para a faculdade no dia de amanhã.

A senhora por um instante se emociona, respira fundo, e diz:_Aguarde um momento senhor. Ela entra em casa e ao voltar compra dois livros, o homem agradece, ela com um guarda chuva, e com um pouco de protetor solar em uma das mãos e diz: __ O sol esta quente né? Vamos passe isso em você e vamos aproveitar que tenho mais casas para o senhor visitar, eu vou apresentar o senhor a todos os moradores aqui da vila que conheço. E lá foi a senhora, junto com o vendedor de livro batendo de porta em porta, levando cultura e educação para toda a sua vizinhança.


Crônicas de Márcio Nato