Debby e o Jeguinho



Debby é uma menina simples, humilde, porém muito simpática. Um dia enquanto ia caminhando para ir para o colégio, Debby, se deparou com algo que muito lhe deixou curiosa, aquilo realmente despertou ao máximo a sua atenção.

Debby era uma criança de 12 anos de idade, muito inteligente, questionadora, argumentativa também.  A menina nunca tinha visto algo igual à imagem que ela estava presenciando. Não conseguindo conter a sua curiosidade, e querendo muito saber o que era aquilo, ela se aproximou do homem de chapéu e camisa de botão e perguntou: “Senhor, o que é isso que esta em cima do lombinho do jeguinho?”

O homem um caipira rústico trajando camisa xadrez, calça jeans e preta de tanta sujeira e com chapelão de cowboy na cabeça, olha para ela e responde: “é uma mine betoneira”. A menina arregala os olhos, vê que o objeto é puro ferro e mais uma vez interroga o homem: “senhor, mais isso é ferro puro, e o ferro não é muito pesado?”

Sem se importar muito o homem responde de maneira grosseira: “sim, é ferro sim! E é pesado mesmo. Mas o jegue aguenta, ele é um burro, é um animal foi feito pra isso! Burro é para carregar peso mesmo.”

Por um instante, Debby deixa escorrer de seus lindos olhinhos inocentes doces lágrimas de condolência pelo animal. A menina muito se entristeceu com a resposta dura do homem. Ela contempla o animalzinho a passos lentos e a um esforço sem medida, caminhando carregando o treco em cima do lombo. Debby compreende que aquele objeto é pesado de mais para aquele animalzinho.

Ela vai caminhando e olhando cada passo e o esforço do jeguinho. Mas uma vez, ela respira e começa um novo argumento com o caipirão: “senhor”, o homem já se demonstra irritado com a presença da criança e reponde de maneira bem mal educada: “O que é menina chata! Não vê que estou trabalhando? Anda menina chata, siga seu caminho vá..., vá pra sua escola e pare de me atormentar o juízo pelo amor de Deus.”

A garotinha mansamente, e de maneira sublime e educada, vai tirando da mochila um caderno e um lápis e continua o dialogo com troglodita: “O senhor disse que os animais são para carregar peso, ainda mais este por ser um burro.” O homem grotescamente interrompe a menina: “Disse sim! E daí? Diabo de menina chata uai sô.”

Debby oferece o papel e o lápis para o homem, e pede para que ele escreva três coisas que na vida considere mais importante. Já muito irritado e aborrecido por a menina esta ali, retruca de maneira não muito agradável o pedido da menina: “Oh menina chata! Não vê que estou trabalhando? Hora vamos pare de me atazanar, vá importunar outro vá.” A menina insiste; “Escreva senhor.”

Ele pega o papel das mãos da menina enfurecido, e escreve as três coisas que considera importante. Bruscamente, devolve a menina. Debby de maneira descontrolada começa a rir, aquelas gargalhadinhas inocentes e gostosas que só crianças sabem dá.

O homem abismado, e confuso quer logo saber o porquê de tantos risos vindos da parte de Debby. Não se contendo, ele interroga: “Ta rindo de que menina chata, o que é tão engraçado para rir de maneira tão estardalhada assim?” aos risos ela responde: “Haha, do que o senhor escreveu hahaha.” o homem mais confuso ainda continua interrogando: “mas o que há de mal no que escrevi?” “Nada senhor,” diz ela, “achei muito bonito.” “Então porque rir assim feito uma hiena?” pergunta ele.

Debby se aproxima do homem, pega o lápis e vai apontando para o caderno e diz: “Olha senhor, é muito lindo o que escreveu, e devo lhe dizer que considero também muito importante! Mesmo eu sendo apenas uma menininha considero tudo isso importantíssimo. Mas, família se escreve com “l, i, a” e não com “l, h, a”. Trabalho é com “l, h, o” e não como o senhor o fez com “lio”. E por último, saúde é com “u” acentuado, e “e” no final, não com “l” e “i”.”

O homem profundamente aborrecido, berra: “E o que tem de mal nisso, menina chata?” A menina olha para ele, e diz: “O senhor disse que os animais foram feitos para carregar peso, não foi? Principalmente o burrinhos, não é mesmo?”  “Sim!” a firma ele. “Então”, ela continua, “acho que chegou a hora de o senhor ajudar o jeguinho, e dividir o peso com ele”.

Poesias & Crônicas de Márcio Nato