A mulher do shopping

Ali estava eu sentadinho e quietinho, fazendo um belo e suculento lanche, no Shopping Curitiba. Curiosamente um garotinho, sentado um pouco além da minha esquerda, despertou a minha atenção. Por quê? Hum..., ele tinha um cabelo muito engraçado. Porém, no caminho do meu olhar em direção ao menino, havia uma mulher de aproximadamente 40 anos bem vividos.

E eu não parava de olhar o jovenzinho, pois ficava matutando com os meus poucos neurônios, como é que ele fazia para deixar aquele cabelo tão legal? Meus pensamentos voavam, e deixe-me levar pelos rios da imaginação, e disse a mim mesmo: “acho que ele deve fazer até chapinha, deve dar aquele trabalho para fazer esse penteado”.

Ao voltar para o mundo real, longe das acrobacias imaginárias, percebi que a mulher estava me encarando. Detalhe: por duas vezes me fixou os olhos, certamente, ela pensou que eu estava a passar a vista para ela.

Quando percebi tal situação, voltei-me rapidamente para a minha badeja de lanche e para o meu copo de suco já vazio. Na verdade, quase me escondi dentro daquele copo, pois me senti profundamente envergonhado ao entender que a mulher pensou que o meu olhar fosse para ela. Infeliz mesa entre eu o menino!

Percebi que a mulher estava se levantando, e pensei comigo mesmo: “ela vem xingar-me com duras palavras, ou encher-me de imensas pancadas”. Mas não. Ela se levantou e juntamente com a amiga se foi.

O prejuízo maior nessa história foi o meu. Por quê? Quando virei novamente para contemplar o menino, de cabelo engraçado, ele também já tinha ido.

Poesias & Crônicas de Márcio Nato