O Natal de Manoelino.

Senhor Manoel, ou apenas Seu Manoelino como era chamado pelos que o conheciam.
Esse era o meu avô, mas eu o chamava de pai pois, foi ele quem me criou desde seis meses de vida.

Lembro que nas noites de Natal, o meu “pai” às vezes dormia às 20 horas e se levantava às 23h40min para cear conosco, ele gostava mesmo era de pegar uma banda de melancia e com uma mulher detonava tudo. E olha que não era pequena a melancia, e o nosso velho pegava a metade! Isso mesmo.

Quando não dormia, ele ficava vendo os programas da TV, assistia às novelas, ficava conversando com seus fregueses na barriquinha que ele tinha. Era assim que o meu “paivô” fazia, ele ria, contava histórias, relembrava o passado com os que estavam ali a conversar.
Faz seis anos que não vejo mais pela manhã na mesa da ceia de casa, aquela banda de melancia vazia que o meu pai rapava todo o vermelho com a colher deixando só o branco da casca.

Ele faleceu em abril de 2005, nos deixou muitas saudades, vítima de câncer de esôfago. Mas, até hoje lembro da ultima vez que eu o vi... Eu estava saindo de bicicleta para ir para minha casa, e ele estava na rua com os amigos deles se preparando para os dias que ele faria a cirurgia. Dei um beijo nele e disse: “Pai, fica com Deus, tudo vai correr bem”, a vista dos olhos naturais humanos não correu bem. Mas, a vista do plano de Deus tudo sempre corre bem.

Ainda quando nos reunimos em noite de Natal, a gente sempre se lembra do “Natal do Manoelino”. Lembramos dele sentado em sua poltrona com meia banda de melancia na mão, e comendo tudo com a colher. E dizíamos: “De tanto o senhor comer melancia a sua barriga, pai, já está parecendo uma”, e ele só respondia: “tirem os olhos da minha melancia” e apenas ria.



*In memories de meu “paivô” Manoel Rodrigues*
Poesias & Crônicas de Márcio Nato