E quando às luzes se apagam?

As estrelas brilham intensamente trazendo alegria a um céu escuro e sombrio, a noite é convidativa a extrapolação dos mais variados desconcertos sentimentos errôneos.  Ao longe se contempla uma casa de espetáculos onde está o artista preferido daquela multidão.  Freneticamente gritam e aplaudem o seu nome, e ao vislumbrar a sua presença no palco, o delírio é total... Os holofotes mostram um brilho supérfluo da roupa iluminada do artista, brilho tal que encanta o público presente.

Se parar-mos para observar melhor vemos pessoas felizes, contentes, e até mesmo alegres que estão envolvidas no calor da sensação daquele instante. Mas, ao olhar mais caprichosamente, contemplo essas pessoas segurando em sua mão uma lata de cerveja, outras com um cigarro entre os dedos, e algumas mais com outros tipos de entorpecentes que trazem alegrias momentâneas.

Estão ali, homens, mulheres, jovens e alguns adolescentes... Eles cantam, pulam,vibram, muitos afogam, por um dado tempo, os seus problemas nas batidas exaustivas do som daquela música eletrônica ou no fundo de um copo de bebida.

O show termina e as batidas param, aquele artista se foi... Agora as luzes se apagam. Muitas das pessoas que estão ali presente logo perceberam a tênue de sua realidade, sabem que os problemas que foram submersos aos delírios rapisódicos de um poema mal acabado, logo voltaram a aflorar.

Quando as luzes se apagam, não há mais aquém recorrer, quem cuidará da multidão que agora anseia por uma solução sólida e permanente?  O que resta depois que as luzes e holofotes se apagam, são apenas dores de cabeça e a ressaca de uma noite agitada para aqueles que conseguem voltar para casa. Outros ficam mergulhados na decepção do constrangimento, ao perceberem que tudo que fizeram e presenciaram não passou de uma mera ilusão.

Uma noite eu fazia um show na praia de Itaóca, em Espírito Santo. E ao descer do palco um jovem me perguntou: “Você é cristão? Pois, a tua musica parece de igreja.” Na época eu não era cristão, mas ia sempre quando podia a igreja.  Eu sempre tive a preocupação de escrever canções que pudessem de certa forma revelar dentro de cada coração humano um real sentido para vida, e que de alguma maneira os submetessem a refletirem sobre o real sentido de estarem ocupando um espaço no mundo.

As musicas que eu escrevia antes falavam de amor, e de como valorizar e conquistar não de forma passageira, mas sim permanente a pessoa amada.  Queria deixar a mensagem de que quando as luzes se apagassem, eles podiam ser sim pessoas felizes! Sem a necessidade de recorrer a algo que os tirassem os sentidos e consciência do pensar.

Abraços Márcio Nato


Poesias & Crônicas de Márcio Nato