Sinfonia dos dorminhocos

Acampamento de verão sempre ocorre em meio ao carnaval, em quanto muitos se divertem no fervilhar da cidade grande e dos centros das metrópoles, outros preferem os refúgios silenciosos que a natureza tem a oferecer.
Geralmente são pessoas que querem mais do que apenas descansar, mas há aqueles que almejam repor suas energias na hora do merecido descanso. 

Imaginem um acampamento onde você desenvolve varias atividades, e é certo que, no fim do dia os que participaram vão estar muito cansados. E tudo o que eles mais querem é ter um bom sono e uma noite tranquila para repousarem.

Então, dar-se o sinal e vem o toque de recolher. Todos vãos para os seus devidos lugares, uns para as barracas, outros para os alojamentos e alguns mais vão dormir em seus carros. E, essa noite, eu até pensei que a Kombi do irmão José havia passado a noite com o motor ligado, só depois eu vim saber que o próprio José é que lá dormia.

Os grilos e as corujas ficam de espectadores ouvindo as sinfonias melódicas que vem das barracas e dos alojamentos. É um “ronc” aqui, e outro “ronc” ali, e assim vai se formando a sinfonia dos dorminhocos.

É claro que tem aqueles que desafinam a orquestra dos roncos moderados, e você pode me perguntar: “mas como”? E eu te respondo: “Há roncadores que parecem verdadeiros motores de avião”.  Esses não só tiram o sono alheio, mas também provocam um desconcerto total na orquestra dos roncadores contidos. 

As corujas e os grilos que antes ouviam os dorminhocos moderados a roncar, logo se assustam com o estrondo que esses outros desafinados provocam e vão embora.

Até a lua se recusa se mostrar em meio a tanta turbulência para não ser desagradável e provocar um maremoto, pois para ela um terremoto já é o suficiente.

Na sinfonia dos dorminhocos tem: violino, violão cello, guitarras destorcidas, sax, pistão e também contrabaixo.  Mas, os que não faltam mesmos: são os motores de carretas e os v 8 que, por sua vez, ficam isolados muitas vezes no fundo da casa ou estacionados ao fim das barracas.

Ah! E isso são fora os rojões, torpedos e gases venenosos que muitos soltam e deixam-se explodir no calar da madrugada. Pobre é de quem são os acompanhantes noturnos desses dorminhocos desajustados, que transformam uma noite silenciosa em uma grande e barulhenta noite de bombas de efeitos nada morais, e sons ensurdecedores de roncos de alguns lábios e narizes desregulados.


Poesias & Crônicas de Márcio Nato