TV, o que deu em você?

Ela surgiu na década de 20, nos Estados Unidos da América, e só em trinta anos depois chegaria ao Brasil, ou seja, em 1950. Desde seus primeiros anos a TV, diferente do Rádio, não foi um veículo propriamente criado para ser um canal de informação de conteúdo jornalístico. A sua programação era voltada mais para a diversão.

A TV brasileira teve o inicio entretendo o telespectador. E, só depois, importou do Rádio o jornalismo, numa tentativa de adaptar o sucesso: “Repórter Esso”, para a telinha. No entanto, a ideia não deu muito certo. Mas, mesmo assim, as emissoras existentes, na ocasião, criaram os seus primeiros telejornais. Esses telejornais aos poucos foram conquistando credibilidade e a opinião pública.

Essa era uma época em que, esse novo fenômeno de comunicação ainda era livre da pressão por audiência. E isso fez com que, aos poucos, os profissionais deste importante veículo conseguissem aperfeiçoar a linguagem e comunicação para este meio.

A televisão, no decorrer de toda a história no Brasil, marcou território sendo a companheira certa nos lares de muitos brasileiros. Mas, essa companheira que no decorrer dos anos foi fundamental para vários movimentos de reforma e revolução em nosso País, aos poucos foi perdendo essa característica marcante.

Uma emissora criada após o golpe militar de 1964, de acordo com Inima Ferreia Simões, no livro: A Nossa TV Brasileira, relata que durante muitos anos, ditou as regras e, muitas vezes, coordenava o comportamento da população.Sempre com matérias tendenciosas e manipuladoras, que na ocasião favoreciam o militarismo, essa emissora mentiu, manipulou e escondeu informações importantíssimas da sociedade brasileira.

Ela também, tentava boicotar todos os atos dos governantes que se opunham contra o seu idealismo de puxa-saquismo militarista. É verdade que com seu padrão “qualidade”, ela possa ter colaborado para fazer das emissoras brasileiras veículos mais competitivos e que exigisse uma qualidade a mais. Mas, também, havemos de concordar que a maior parte de sua programação, nada mais é do que puro entretenimento o que não insere nada para ninguém.

Se esse canal, que durante muito tempo comandou e mandou nas casas dos brasileiros, inserisse na programação uma proposta mais educativa com mais informação e conscientização social. Hoje, é possível que poderíamos ter um País mais pensante e atuante em todos os sentidos. Porém, só encucaram nas mentes das pessoas programas sem quaisquer indícios de conteúdos ou formação social. O que fez com o que as demais emissoras, na luta pela audiência, fizessem o mesmo. Aí me agarro na citação de Geovanni Sartori: “O problema de fundo da TV, é que ela criou e está criando um individuo que não ler, que revela o alarmante entorpecimento mental, molóide”.

A TV que poderia ter sido usada, durante anos, para inserir mais conteúdo e informação relevante para sociedade foi e está sendo, até os dias de hoje, explorada unicamente para entreter em sua maior parte da programação e assim consequentemente arrecadar muito dinheiro em publicidade. Não estou dizendo que não deva ter entretenimento na programação das TVs, mas só acredito que as coisas pudessem ser dividas e moderadas.

No entanto, com o advento da internet e criação das redes sociais, principalmente Facebook, vemos a veiculação de uma comunicação que não se via nesses canais de TV, e que passou a circular livremente pela grande rede. Essas informações acabaram mudando, em alguns casos, as pautas destes veículos convencionais. Os paradigmas e o engessamento da informação foram quebrados.

Atualmente, estamos testemunhando no País o acordar de um povo. Não graças a TV, mas, sim a novo meio de comunicação chamado: Rede Social. Desde o ser mais jovem, ao mais adulto, o Brasil está de pé...

E fica a pergunta: TV, o que deu em você?

Por Márcio Nato

Poesias & Crônicas de Márcio Nato