A história do menino que nasceu para se dar mal.


Pensai vós em um menino que, desde de muito pequeno, parece que nasceu para se dar mal....

Uma vez, ao 14 anos de idade, esse menino - em sua flor da inocência - jogava "Bingo". A cartéla, na época, deve ter custado uns 0,50 ou 2 reais.
O prêmio era uma TV de não lembro quantas polegadas. Além da TV, tinha também um ventilador.

A cartela do menino, de acordo com as pedras que eram cantadas, foi se completando....

O menino ficou empolgado - ele queria ganhar a TV colorida -novidade da época, para ele - e o ventilador para dar de presente para a mãe.

O menino chegou a acreditar que ele ia ganhar, faltava só uma pedra para ele gritar: "BINGO". Mas na terra de "Zambarotto", quem tem um olho é mais que rei...

Imaginem que, ao lado do garoto havia um homem com a cartéla vazia. Porém do nada as pedras chamadas, quase completaram a cartéla dele.
Então, o locutor grita: "23". O rapazinho saiu correndo gritando:_ BIngo, bingo, BINGOOOOOO!!!!!

Imaginem a alegria daquele adolescente? Então, ele sobe no palco para que a cartéla seja conferida. Mas aquele senhor, que estava do lado dele, sobe também.

O garoto arregala os olhos quando o senhor diz: _ Desculpe, filho, mas eu 'binguei' também...

Conferidas as cartelas, tudo certo. Então, o locutor diz:_O desempate será para quem tirar a pedra maior. Aquele que pegar a pedra de maior número, será o grande vencedor....

O locutor balança a sacolinha com as pedras do jogo, o senhor tira a pedra número 15, uma pedra de valor considerávelmente baixo.

Agora, é a vez do menino. Ele mete a mão na sacola, e advinhem o número da pedra que ele tirou???
20? 16? 89? nããããoooooo!!!!

O Menino, coitado, (risos) tirou a pedra 1.

Ventilador e TV, foram para aquele senhor. E já para o garoto o que restou foram esperanças de dias melhores, que até hoje aguarda chegar.

O legal dessa história, é que o menino ainda respira... E enquanto ele respirar, ele sempre vai tentar alcansar o lugar destinado a ele ao lado do sol. Fenix, ela ressurge das cinsas. Assim também, é o menino.
Quando todos pensam que morreu, ele ressurge do nada pronto para brigar outra vez.


Poesias & Crônicas de Márcio Nato