Ayrton Senna, “ele não fazia cena...”


Eu tinha só 16 anos, quando o tri campeão mundial brasileiro Ayrton Senna sofreu aquele trágico e fatal acidente, que lhe tirou a vida.

1° de maio de 1994, quem diria que a data que se comemora o dia do trabalhador seria uma terna data de luto para o povo brasileiro. Principalmente os que amam o automobilismo.

Foi nesse dia que, há 20 anos, o Brasil perdeu o motivo do seu orgulho nas pistas internacionais – vale apena lembrar que aquele final de semana, foi um final de semana totalmente nebuloso, sombrio e tenebroso.

No primeiro dia de testes livres para a classificação, ou seja, no dia 30 de abril, daquele ano, o primeiro acidente fatal ocorreu provocando a morte do piloto Roland Ratzenberger.

O austríaco que, até então, teve como 11° lugar, no GP do Pacífico, daquele mesmo ano, o melhor resultado na categoria, era um estreante na F1. Ratzenberger nunca foi pole, nunca marcou volta mais rápida e nem tão pouco, subiu ao pódio na categoria mais importante do automobilismo mundial. Mas se os interesses para com a vida humana estivessem acima dos interesses financeiros, o acidente que lhe tirou o sopro de existência poderia ter evitado a trágica morte de Ayrton Senna e também, o acidente sofrido no sábado por Rubens Barrichello. Como disse, aquele foi um final de semana tenebroso.

Ratzenberger morreu na sexta, Barrichello acidenta-se gravemente no sábado. Na minha cabeça de adolescente, veio a seguinte pergunta: “Será que com todas essas tragédias, eles vão deixar ter corrida amanhã?”, na época, referindo-me aquele triste domingo.

No entanto, naquele 1° de maio, eu estava no campo de futebol. Mas na hora da corrida eu fui até a birosca da dona “Huquinha” para ver a largada. Não lembro perfeitamente como foi à saída de Senna, no gride. Mas, no entanto, nunca esquecerei que Michael Schumacher – hoje, infelizmente, correndo risco de morte – perseguia de perto o nosso tri campeão.

Então, chegou àquela maldita curva. Curva Tamburello, no circuito de Ímola, na Itália. Curva tal que, fez o mundo chorar. Curva que encheu milhares de corações brasileiros, e principalmente o meu, de sublime tristeza e lágrimas. Curva que tirou de nós, um de nosso orgulho nacional. Curva que levou para sempre a nossa alegria nas manhãs de domingo, curva que interrompeu a trilha vitoriosa do nosso “Ayrton Senna do Brasil”.

Nesse momento, às lágrimas começam a surgir em meus olhos e a minha garganta fica entalada. Pois, embora nunca tenha conhecido ou visto o Senna pessoalmente, o seu carisma e caráter e ímpeto de levantar bem no alto aquela nossa bandeira, em cada vitória que ele conquistava. Ele queria dizer que, no fundo, fundo, ele era um de nós. Um brasileiro como eu e você. Nas entre linhas, eu interpretava que o Senna queria expressar: “Somos irmãos, somos do mesmo País, somos uma família, eu venço por vocês!”.

E Ímola tirou de nós esse ilustre membro familiar...
Não há como não me emocionar e chorar ao lembrar-me desta pessoa que, além de um piloto fantástico, a história registra também, foi um excelente ser humano.
20 anos sem Ayrton Senna. No entanto, infelizmente, parece que foi ontem.
Saudade que não quer calar, tristeza que nunca mais vai findar.
“Ayrton Senna do Brasil”, assim batizado por Galvão Bueno” sempre vivo em nossos corações.
Poesias & Crônicas de Márcio Nato