Há coisas que só acontecem com o Márcio Nato

Confusão trânsito.

Essa é uma das muitas histórias que acontecem comigo. 1° foi Viviane Daudoso, quando eu estudava na 5ª série, da Escola Estadual Raymundo Corrêa, em Austin. Depois, Comprei uma bicicleta que quase me roubaram no campo de futebol. Tudo isso, sem contar o tremendo fora que levei e depois retribui para menina Rebeca em Queimados, Estado do Rio de Janeiro. Mas essa história, também, é show de bola.

Vinha eu, a uns 120 km por hora, com o meu "Tutu" pela BR 413 SC -Eu havia saído de Jaraguá, passado por Guaramirim e estava sentido Blumenau, para pegar a BR 470.

Em minha frente seguia o Focus Preto, novinho em folha, que devia estar trafegando a uns 130/140 por hora.

Então, eis que adiante e ao longe avisto uma mula. Rapidamente, eu sou meio maluco da ideia pessoal, (eu converso com o meu carro), falei com o meu Monza Tubarão: __Tutu, aquela mula vai fazer "lambaropança*" quer ver? Vamos reduzir. De 120, cai para 80, 60 e assim por diante, até parar - Essa palavra lambaropança, não existe no dicionário, foi uma criação da minha mente fértil em meados de 2001, para dizer que um amigo tinha feito lambança unidas com um serviço porcalhão cheio de besteiras erros, aí resumi em LAMBAROPANÇA .

Voltando a história.

A mula a qual me referi não era o animal irracional em si. Mas sim, uma "mula humana" pior do que um animal irracional.

Essa mula era um caminhoneiro que conduzia um caminhão baú. O energúmeno viu claramente que ele não ia conseguir entrar na via, mas mesmo assim entrou. Resultado??? O condutor do Focus, bateu na tranqueira do asno falante.

Então, você que estava achando essa história longa e chata, agora, é que a batatinha começa assar...

O motorista do Focus saiu do veículo, pego um três oitão e disparou.... Calma, não as balas da arma, mas sim as palavras da boca, que em respeito a muitos leitores não irei reproduzir na integra, ele dizia: __Desce daí seu filho da mãe, desci daí. Você não viu que não ia dar tempo de você entrar na P dessa rodovia, seu filho de uma P, desci do caminhão vou encher tua cara de bala!

Ao ver aquela cena, já que eu estava para do logo atrás do Focus, uns 10 metros mais ou menos, peguei o meu crachá - minha doce lembrança do magnífico jornal Amigos do Bairro - coloquei no peito e sai do meu Tutu. Por um instante o meu Monza deve ter pensado, "Ih, vou ficar sem meu amigo, ele pirou...".

Sai do meu carro e me dirigi ao homem que estava com a arma na mão ameaçando o imbecil, irresponsável do caminhoneiro. Eu disse:__ O Amigão! Não vale a pena! Baixa essa arma! Esse cara é um babaca, não tá vendo? Aposto que ele já se borrou todo lá dentro dessa M de caminhão. No entanto, o homem estava nervoso e me respondeu: __ Oh, volta pro teu carro! Aqui é entre eu e ele. Esse filho da P. quase me matou! Não se meta...

Eu continuei caminhando em direção ao homem, que apontava a arma para o idiota do caminhoneiro. Então, mais próximo dele argumentei outra vez:__ Irmão, guarde a arma por favor. Não vale apena você atirar nessa bosta. Você vai atirar e vai espirrar sujeira em ti. Olha a cara dele, isso é um ignorante mobral, a carteira de motorista dele deve ter sido comprada, pois quem sabe dirigir, mesmo, não faria a lambaropança que ele fez aqui. Nesse momento ele me perguntou:__ Lamba oquê?

Completei: __ Pança, Lambaropança. Já te explico o que é isso. Cara você tem família? E ele respondeu-me:__ Tenho três filhos.

Novamente perguntei:__Qual a idade deles?

E ele:__ Uma menia de 8, um menino 12 e rapaz de 15 anos.

Eu:___ Cara, pensa bem, você mata uma porcaria de ser humano igual esse idiota aí. Amanhã você vai ser notícias nos jornais! Porque, infelizmente, eu terei que contar a sua história falida. Além de dá motivo de vergonha para os seus filhos e, de quebra, talvez, a tua mulher ainda ia arrumar outro pra por no teu lugar. É isso que você quer? Porque se for isso, você vai ter que cometer dois homicídios. O do toupeira lá encima na cabine do baú e o meu para eu não tenha que por a boca no trombone. Vai querer me matar também? Vai cara, baixa essa arma. Não vale a pena. Pense na tua família...

Então, o homem foi baixando a arma, eu já estava do lado dele. Olhei para o imbeciloide* (Junção de imbecil com moloide) do caminhoneiro e disse: __ O babaca, idiota, dá um fora e vê se aprende a respeitar as pessoas. Sua lesma!

Rapidamente, ele ligou a jabiraca e escafedeu-se.

Na conversa convenci o homem do Focus, que o carro dele nem tinha amassado tanto. O persuadir a por o carro no acostamento e esperar uns 30 minutos, até que o "idiotão" do caminhão desaparecesse e ele se acalmasse mais.

O trânsito já fazia fila. Aí, ele colocou o Focus no curto espaço do acostamento. Eu peguei o meu Tutu e parei a frente dele e ficamos conversando. Ele me perguntou: __Você bebe, chapa?
Eu respondi: __ Não...

Ele: __ Tá com fome? Tem amendoim aqui no carro, quer?

Eu:___ Amendoim, eu quero. Ainda não amocei.

Isso já devia ser umas 3 e pouca da tarde.

Ele: ___ Tu não és daqui né?
Eu: ___ Não, sou carioca!
Ele:___ Rapaz, lá o bicho tá pegando né?
Eu: ___ Sim, lá tá florida, se fosse lá, o cara não ia nem pedir pra ele descer do caminhão.

Fiquei conversando com o homem, que deveria ter uns 40 ou um pouco mais de anos. Um descendente de alemão - branquelo de cabelo de ouro e olhos azuis da cor do céu. Deveria ter uns 1,72 de altura, 4 Centímetro a menos que eu.

Passou aproximadamente uns 40 minutos, aí nos despedimos e prosseguimos viagem.

Acho que hoje, eu não deveria ter achado a chave da minha casa. Eu deveria era ter trancado o dia todo.

Márcio Nato

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