Manoelzinho aprontando com a enfermeira

Sentado na maca no consultório hospitalar, Manoelzinho olha atentamente os movimentos da enfermeira. Preocupado, o menino
embora se comporte bem, dentro de si há uma certa inquietação

Caminhando em direção ao garoto, a enfermeira traz consigo um remédio de gotinha. Ela se aproxima de Manoelzinho e diz: __ Abra a boquinha fofinho, vou dar esse remedinho para você.

Manoelzinho, que de burro não tem nada, já questiona:__ Que remédio é esse moça da saúde? Ele arde? É doce ou é amargo?

“Sim”, diz a enfermeira, “docinho meu amor” continua ela. Muito do esperto Manoelzinho, joga um verde:__ Ah, então, porque que a senhora não toma primeiro?

A enfermeira franze as sobrancelhas e alega:__ Eu não tomo, fofinho, por que não sou eu quem está dodói, é você quem precisa. Mas pode confiar em mim, é docinho.

Acreditando no argumento da enfermeira, Manoelzinho aceita as gotinhas do medicamento. Mas mal caem as gotinhas, ele já reclama:__ Eca, enfermeira, isso que é doce para você? Imagine, então, o que é amargo para a senhora. Eca!

Percebendo que teria problemas para aplicar o próximo medicamento no menino, a enfermeira se utiliza de toda sua técnica e simpatia para conquistar o coraçãozinho do menino:__ Olha lindinho, se você deixar eu lhe aplicar o próximo medicamento e sem chorar, você vai ganhar uma barra de chocolate. Que tal?

Ele olha para moça, que está com uma injeção nas mãos, e argumenta: __ Nossa! Se o primeiro, que era gotinha, a senhora falou que era docinho e foi amargo igual fel. Imagine esse aí então, que tem essa agulha, que pelo jeito vai furar o meu bumbunzinho. O negócio deve ser tão doído que você quer até me comprar com uma barra de chocolate.

Surpreendida pela desenvoltura do menino para argumentar os fatos, ela tenta ludibriar: __ Não, fofusco! Quero te dar o chocolate, pois, você merece. Mas só se me deixar aplicar a injeção em você.

Manoelzinho respira fundo e diz: __ Ai, ai, quanta esperteza da senhora hem? Ou seja, eu só vou ganhar o chocolate se eu deixar você me furar. Isso não é justo! Já vi que, deve doer pra burro essa agulhada que você quer dar no meu frágil bumbuzito.

A samaritana percebendo que não iria conseguir convencer o garoto a receber a agulhada apela: __ Amorzinho, ursinho do meu coração. Se você me deixar aplicar essa injeçãozinha, que parece até uma picadinha de mosquitinho, eu me caso com você. Assim que você ficar maiorzinho! Que tal?

Manoelzinho rapidamente devolve: __ Hã! Nossa! Isso deve doer dias, para você até querer casar comigo. Isso deve doer até eu crescer. No entanto, embora a senhora seja bonita, quando eu crescer, eu não sei se eu vou querer casar com a senhora.

Ela interrompe o menino e pergunta:__ Mas porque Manoelzinho?
E ele continua:__ Eu sou só um menininho de oito anos, você é uma senhora com mais de 20 primaveras. Então, quando eu tiver as primaveras que hoje você tem, as folhas das tuas flores já terão murchado todas. Acho melhor você pegar os chocolates que quer me dar, junto com essa agulha aí, e oferecer para um outro menino que tenha as mesmas primaveras que você.

Márcio Nato

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Poesias & Crônicas de Márcio Nato