Manoelzinho aprontando com a psicóloga.

Então, do nada, já aborrecido de estar no consultório psicológico, Manoelzinho – sentado na cadeira balançando as perninhas – pergunta para psicóloga:__ Por que a senhora me faz tantas perguntas, moça? Desde a hora em que cheguei aqui, a senhora só sabe me perguntar, perguntar e perguntar. Só isso que a senhora sabe fazer. Que coisa chata, eu quero ir pra casa...

A psicóloga mexe uma das sobrancelhas e responde:__eu pergunto lindinho, porque preciso saber um pouco de você.

Ainda inconformado com a resposta da psicoterapeuta, o menino continua com os questionamentos:__ Mas por que a senhora quer saber tanto de mim? Eu não quero saber nada da senhora. Que mania feia de querer saber da vida dos outros. O mais feio ainda, é querer saber demais da vida de um menininho de oito anos, o que a senhora pode querer saber de mim? Eu hem! Nem sei o porquê meu pai me mandou aqui.

Ela olha para Manoelzinho, sorrir e diz:__Oh, fofinho. Eu preciso conhecê-lo, e o seu pai mandou você aqui, pois, segundo ele, você não está indo muito direito na escola.

O menino arregala os olhos, salta da cadeira e sinaliza negativamente com o dedinho indicador dizendo:__na, na, ni, na, não. Se eu não vou direito na escola, a culpa não é minha! E, a senhora já me conhece. Meu nome é Manoelzinho, prazer! Agora eu posso ir pra casa?

“Não, não pode. E se a culpa não é sua, de quem é Manoelzinho?”, questiona a psicóloga. Ele gesticula com os braços, abre as mãos e diz:__ Do meu pai, hora bolas! Ele apronta as coisas e eu é que tenho que ficar respondendo perguntas. Ai, ai, ai, esses pais de hoje em dia... Já não se fazem mais pais como os de antigamente.

Sem entender o argumento do garoto, ela retruca:__mas por que a culpa é de seu pai, docinho?

Ele olha para ela, e responde:__ Hã... Veja bem, preste muita atenção para que a senhora não venha me perguntar de novo.

A mulher segura o riso, põe uma das mãos no queixo e espera a conclusão do menino. Então, Manoelzinho continua:__ Ele sempre quando me leva para o colégio, sempre toma pelo lado esquerdo da rua. E quando entramos no portão adentro, ele, todas às vezes, pega o acesso do lado esquerdo. Como é que ele quer que, desse jeito, eu vá direito na escola? Então, quem tinha que estar aqui respondendo esse mundo de perguntas que a senhora faz seria ele. Não é mesmo?
 

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Poesias & Crônicas de Márcio Nato