Pedaços de Paixão

Lá fora o vento sopra e as nuvens escuras começam a conta tomar do céu. Relâmpagos e trovões anunciam que em breve a natureza deve chorar – não sei se serão lágrimas de alegria ou tristeza, só sei que vai chorar.


Aos poucos, à noite vai chegando e vencendo um dia que já era escuro. Às luzes artificiais das cidades vão se acendendo iluminando assim, o caminho de um jovem solitário. Ele caminha por estrada a fora em busca de um porto onde possa ancorar e repousar.

Ele segue tateando no escuro, apenas sendo iluminado pelos raios do relâmpago que clareia o céu – os raios são semelhantes a uma fissura na parede. Ele caminha em direção ao longe e ao desconhecido, ele só quer caminhar e encontrar um lugar onde possa descansar.

Então, em dado momento, às luzes da cidade desaparecem. Teria faltado energia? Não, ele tanto caminhou e das luzes artificiais se afastou. Passo a passo deixou a civilização e urbanidade. Agora, é só ele e a natureza.

A chuva começa a cair. As gotas batem em seus ombros como caricias de uma mão macia em sem dolo.

Na escuridão da noite, ao longe, ele avista uma árvore bela e frondosa – embaixo dela, ele se senta abrigando-se da chuva que começa a apertar.

Sentado com os braços em cima dos joelhos, por um momento, uma lágrima cai de seus olhos, ela escorre pelo rosto indo de encontro ao solo fértil de uma terra cheia de dor. Não há mais nada para esconder, ele está com o coração ferido e um nó entrelaçado na garganta!

Então, espontaneamente, o jovem leva uma das mãos ao bolso e pega um bilhetinho que dizia: “Quando tudo estiver acabando e o seu coração só contemplar pedaços de paixão, e quando você achar que não tem mais saída e que tudo chegou ao fim, olhe para o céu e lembra-te de mim. Pois, eu nunca deixarei você sozinho. Eu me farei presente até mesmo nas noites mais escuras e sem luar – Eu nunca vou abandonar você! Você é o meu bem mais precioso! Jamais vou desistir de vê-lo feliz.

Não se preocupe, se o seu coração está em pedaços, eu faço nova todas às coisas. Se você acha que não tem mais forças para começar de novo, Eu te tomo pela mão e te mostro o caminho certo a seguir. Não se preocupe, lance sobre mim as tuas dores e culpa e me compadecerei de ti, e te darei a minha paz. Então, tu encontrarás refrigério para a tua alma e nunca mais tu viveras em pedaços de paixão. Eu sou aquele que fui imolado por você! Eu morri e ressuscitei por ti. Eu não te deixo jamais!

Assinado Jesus o Cristo.

Márcio Nato

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Poesias & Crônicas de Márcio Nato