A história de Alberto

Alberto de Carvalho tem 34 anos, há 12 anos, é casado com Ludmila, e tem uma filha de cinco anos, a menina Giovanna. E já há muito tempo, Alberto vem lutando contra o vício do álcool. O motorista de transporte coletivo tem tentado de todas as formas se desvincular do vício da bebida.
Embora reconheça que seja um viciado, Alberto não bebe nas horas de trabalho. Mas quando fecha o expediente, o primeiro local que ele vai é para um boteco. Lá ele bebe demasiadamente com os demais colegas.
Alberto começou a consumir álcool aos 17 anos de idade, quando ainda morava com os pais. No início, segundo ele, era só curtição. Porém, no decorrer dos anos, a curtição foi se apoderando de seu corpo até se tornar impregnada e começar a fazer parte constante do seu dia a dia.
Alberto conheceu Ludmila numa festa na casa de um amigo, ambos se envolveram, apaixonaram-se namoraram por um tempo e depois se casaram. Passado alguns anos veio à pequena Giovanna, que uniu ainda mais a relação do casal.
Durante algum tempo, Alberto conseguiu esconder da mulher o seu problemas para com o álcool, mas, de alguns anos para cá, o vício tem obtido força maior sobre a mente e o coração do motorista que passou a chegar em casa embriagado. E numas dessas noites de embriaguez, o casal discutiu e Alberto acabou por agredir fisicamente a esposa.
Arrependido do que fez, o marido se desculpou. Mas estava claro que o vicio começara o levando à ruína.
Ludmila, por sua vez, conversava com amigas que lhe davam os mais absurdos conselhos. Já outras eram mais coerentes com as palavras, porém a mulher ama o marido, sabe da dificuldade que o homem está enfrentando, reconhece a vontade que Alberto tem de mudar. Mas, ao mesmo tempo, sente-se cansada de ver se repetindo quase todas as noite as cenas de vê-lo chegar em casa cambaleando e se segurando na parede para não cair. É vergonhoso para ela ver Alberto sendo carregado, até a porta de casa, por amigos.
Alberto já buscou ajuda no AA, porém nunca conseguiu concluir com eficácia qualquer tratamento. Por mais que ele tente se separar dos braços da bebida, parece que o desejo pelo paladar do álcool descendo queimando em sua garganta é mais forte.
Desesperado e sem chão, ele mesmo já pensou em se separar de Ludmila. Na cabeça dele, ele poderia estar sendo prejudicial para a esposa e também poderá influenciar negativamente no crescimento da filha.
Alberto disse que já chegou a conversar com a esposa sobre a atual situação, no entanto, mesmo que de fato, ele quisesse tomar essa decisão, ela jamais aceitaria.
"Amigo Márcio", diz ele, "tenho uma família linda, uma esposa que me ama. Mas sinto que estou pondo tudo a perder por causa desse maldito vício de álcool. Por mais que eu tente me livrar dessa praga, ela ainda exercer um poder muito forte sobre mim".
Alberto está consciente dos males que a bebida está causando em sua vida e na vida de sua família. Ele está pensando em não abandonar a filha e a mulher, mas se afastar até que consiga de fato vencer o álcool.
Alberto teme, mais uma vez, dominado pelo vicio, agredir a mulher. Mesmo contra a vontade de Ludmila ele pensa em sair de casa até que possa se curar. A mulher o ama e não quer que ele faça isso. Mas o medo de fazer bobagens, fala mais alto no coração de Alberto.
No lugar de Alberto o que você faria? Sairia de casa até resolver o problema ou continuaria junto com a família para assim encontrar uma solução?

Poesias & Crônicas de Márcio Nato